Governo do Distrito Federal
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2/03/20 às 13h52 - Atualizado em 2/03/20 às 14h30

Metade dos calouros da UnB vem da rede pública do DF

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A alta aprovação está mudando o perfil dos estudantes da Universidade

 

Aldenora Moraes, Ascom/SEEDF

 

Alef Guedes, Victor Vital, Luma Holanda, Lucas Amaral, Camila Paiva e Giovanna Torres comemoram aprovação na UnB. Foto: Mary Leal, Ascom/SEEDF

 

A grande aprovação de alunos de escolas públicas está mudando o perfil dos estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Em 2019, 47% dos calouros que ingressaram na UnB cursaram escolas públicas. Neste ano, somente pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), foram 4.938 aprovados de escolas públicas brasileiras. Destes, 4.024 são de escolas públicas da Secretaria de Educação do Distrito Federal. O número de aprovados pelo Enem oriundos das redes públicas ainda não está fechado. Já houve duas chamadas e pode haver mais.

 

“Os alunos podem ser aprovados por meio do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e do Acesso Enem. Como há muitas chamadas, o quantitativo de estudantes da rede pública aprovados na UnB ainda pode aumentar”, explica a pedagoga Ada Lima. Já é possível afirmar que passar para a UnB está se tornando uma tradição entre os estudantes da rede pública de ensino.

 

UnB cai na Rede

 

É o caso do aluno Victor Vital, 17 anos. Ao ter aula com o professor André Azenha, do Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia, o jovem se apaixonou por Filosofia. Com a intenção de seguir o exemplo do mestre, para conseguir a aprovação, o estudante, que também é skatista, teve que alterar sua rotina. A mudança valeu a pena, ele é um dos 48 estudantes do Centro de Ensino Médio 02 de Ceilândia aprovados na UnB. Bem articulado, cita Nietzsche e Schopenhauer com a destreza com que faz manobras no skate.

 

A aluna Luma Holanda também teve que fazer adaptações no cotidiano para alcançar a tão cobiçada vaga em Medicina. “No 1o ano eu já sabia o que queria estudar, mas tinha medo de não conseguir ser aprovada”, conta. A estudante não participou de nenhum cursinho, frequentava a escola, assistia às videoaulas em casa, baixava PDFs de conteúdo na internet e buscava livros em sebo, onde os preços eram mais em conta.

 

Além do conteúdo exaustivo, a jovem ainda teve que lidar com as dúvidas de outras pessoas quanto a uma possível aprovação. Para não ficar desencorajada, ela contou com a ajuda dos professores e dos pais. “Eles acreditavam que era possível”, rememora Luma.

 

Iniciativas de sucesso

 

Rian Guilherme Muniz: arte que vem de berço. Foto: Mary Leal, Ascom/SEEDF

 

Segundo Amanda Freire, supervisora pedagógica do CEM 02 de Ceilândia, o segredo para o sucesso é o comprometimento dos alunos e professores. “O corpo docente é muito engajado, mesmo os professores novatos se envolvem nos projetos. O carro-chefe do 3º ano é o Sarau que contempla todas as obras do PAS. Além disso, no 2º ano, desenvolvemos o Festival de Curtas também voltado para as obras do PAS. É um trabalho integrado”, explica Amanda, revelando que até mesmo os muros da escola expõem as obras que fazem parte do Programa. Já as turmas de 1º ano, por exemplo, participam de explanações sobre as provas para a UnB e sua importância.

 

Para Rian Guilherme Muniz, aprovado em Artes Cênicas, a arte vem de berço. Nascido em uma família de nordestinos, o gosto pela cultura popular remonta às quadrilhas onde seu pais dançavam. “Fiz parte da trupe Carroça de Mamulengos, um grupo de arte popular mambembe, além de participar do Hierofante e dancei quadrilha profissionalmente”, lembra.

 

O primeiro desafio do estudante a ser vencido para a aprovação na UnB foi a prova de habilidades específicas para o curso. Ao descobrir que havia candidatos que tinham sido reprovados seis vezes na prova, Rian se dedicou ainda mais e foi aprovado no teste prático que consistia na participação em oficinas e apresentação de cenas individuais, além de entrevistas. Vencida a primeira etapa, o jovem voltou-se exclusivamente para a aprovação na prova da UnB.

 

A preparação da aluna Giovanna Torres não foi diferente. Aprovada em Farmácia, até o 9º ano, a aluna não sabia necessariamente o que gostaria de cursar. “Fiz um cronograma de estudos e, além da escola, estudava de duas a três horas. Refiz provas, lia muito e fazia resumos coloridos”, relembra. Giovanna enfatiza o incentivo dos professores como fundamental para sua aprovação. “Quando percebemos que alguém se importa conosco, nos tornamos mais motivados”, enfatiza a futura farmacêutica.

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