Governo do Distrito Federal
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8/06/22 às 16h56 - Atualizado em 8/06/22 às 17h00

Formação continuada também ocorre no noturno

Desde 2019, profissionais da educação podem participar de cursos oferecidos pela EAPE à noite

Reportagem: Jacqueline Pontevedra

 

Noite de sexta-feira. O que fazer? Se você pensou em momentos de conexão com o aprendizado, acertou! Na Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (EAPE), muitos profissionais participam de cursos que são ministrados no período noturno. Além da sexta-feira, as aulas ocorrem também às terças e quintas-feiras, sempre às 19h30, para atender a todos os professores da rede nos diferentes dias de coordenação.

 

Cursos de diferentes temáticas são oferecidos na EAPE por um grupo de 12 formadores que trabalham para atender a 326 profissionais da educação inscritos, também à noite | Foto: Daniel Fama, EAPE/GITEAD

 

Oficialmente, as aulas no período noturno ocorrem desde 2019. Cabe destacar que a Portaria nº 14, de 11 de janeiro de 2021, no item III do seu art.27, prevê que o servidor tem direito “a um dia destinado à coordenação pedagógica individual na Unidade Escolar/Unidade Escolar Especializada/Escola de Natureza Especial ou à formação continuada”.

 

Os cursos no noturno são destinados à formação continuada dos professores que atuam na Educação de Jovens e Adultos e no Ensino Médio Noturno e isso fortalece os documentos oficiais norteadores: o Currículo em Movimento e as Diretrizes Operacionais da EJA. Integram o grupo formadores de todas as gerências da EAPE, o que amplia as temáticas ao contemplar as diferentes áreas do conhecimento. Os profissionais que atuam no noturno são competentes e comprometidos e os cursistas têm a oportunidade de conhecer diferentes estratégias pedagógicas”, explicou a professora de Língua Portuguesa e coordenadora dos cursos no noturno, Iva de Oliveira.

 

De acordo com Iva, neste semestre, cursos de diferentes temáticas são oferecidos por um grupo de 12 formadores que trabalham para atender a 326 profissionais da educação inscritos. Para realizar a formação, o ensino híbrido é a metodologia utilizada, ou seja, combina a aprendizagem presencial e propostas de ensino on-line. Dessa forma, o cursista pode estudar de acordo com seu tempo, mas também interage com os colegas de turma e com o professor formador durante os encontros presenciais (no mesmo espaço físico) ou síncronos (mediados por ferramentas de webconferência).  Há também uma ação formativa que integra o Projeto EAPE vai à Escola.

 

Há quatro anos na EAPE, o formador Silvio Miranda trabalha no noturno | Foto: Daniel Fama, EAPE/GITEAD

Há quatro anos na EAPE, com carga horária de 20h na Secretaria de Educação do Distrito Federal, o formador Silvio Miranda trabalha no noturno. Vinculado à Gerência de Inovação, Tecnologia e Educação à Distância (GITEAD), ele acredita na necessidade de formação e na importância de multiplicar o conhecimento: “A oferta de cursos no período noturno democratiza o acesso à formação continuada para os professores que trabalham nesse turno, possibilita melhor qualificação dos profissionais e garante também a progressão na carreira. A EAPE se faz presente também no noturno e sempre há procura para os cursos oferecidos”.

 

Neste ano, Silvio ministra a primeira edição do curso Avaliação, Tecnologias e Gamificação em Sala de Aula. Com carga horária de 180h, até o final do ano letivo, dezoito cursistas inscritos já têm um compromisso agendado às sextas-feiras… e à noite! Nessa formação, os participantes aprendem a utilizar os recursos tecnológicos como ferramentas educacionais. Esse curso também ocorre às terças e quintas-feiras, com outros dois formadores. Ao todo, nas três turmas, há 61 inscritos.

 

Quem participa do curso do professor Silvio e considera adequada e propícia a formação continuada no noturno é o professor de história do Centro de Ensino Fundamental 411 de Samambaia, Joabe Melo. Durante a semana, ele trabalha intensamente com mais de 300 estudantes do 8º ano do ensino fundamental e, desde 2020, quando ingressou na Secretaria de Educação, participa de cursos oferecidos pela EAPE.

 

Na noite de sexta-feira, eu consigo ficar concentrado, pois já finalizei todas as demandas da escola. Por isso, consigo participar com atenção e ter um debate de qualidade. Os formadores também compreendem que o cursista do noturno é um profissional diferenciado e que precisa de uma formação também diferenciada. As aulas são sempre agradáveis, motivadoras, com debates de altíssima qualidade e com muita troca de experiências”, explicou.

 

Ainda de acordo com o professor Silvio, o perfil do cursista no noturno é um aspecto importante apresentado pelo cursista Joabe. Para garantir a motivação dos participantes, as aulas devem ser estimulantes, com diferentes dinâmicas e metodologias ativas, pois os cursistas já tiveram uma jornada cansativa ao longo do dia. “Geralmente, o público do noturno precisa de apoio, de acolhimento e de prazos maiores para atingir os objetivos propostos. E eu acredito que a principal estratégia para evitarmos a evasão é oferecer cursos que instrumentalizem os professores cursistas. Eles devem compreender que as ferramentas aprendidas durante a formação podem mudar a rotina pedagógica e, dessa forma, poderão ajudar os estudantes a alcançar resultados positivos”, reforçou.

 

Quem também se inscreveu e participa de outra turma do curso Avaliação, Tecnologias e Gamificação em Sala de Aula, às quintas-feiras, com o formador Bruno Borges de Castro, é o professor de exatas Robertson Oliveira. Ele atua 40h na Sala de Recursos para Altas Habilidades e Superdotação da Escola Técnica de Saúde de Planaltina e atende a um grupo de 35 estudantes. “Para atuar com o público jovem, é necessário atualizar, é preciso repensar a prática pedagógica. E o curso apresenta a gamificação – algo que está presente na vida dos alunos. Por isso, achei importante conhecer esse método novo para pensar, repensar a forma de avaliar e perceber uma forma de interação com os alunos. A qualidade do material apresentado, o domínio das ferramentas utilizadas durante os encontros, a compreensão e a sensibilidade dos formadores quanto à nossa realidade como cursistas facilitam nosso acesso, nossa permanência no curso e tudo isso nos motiva”, enfatizou.

 

Há três anos na EAPE, o formador Bruno Borges de Castro considera que a avaliação positiva do professor Robertson e de outros cursistas ocorre devido à elaboração de cursos que estejam ancorados nas práticas pedagógicas que consideram a realidade dos profissionais que atuam no noturno. “Além disso, é importante que a gente consiga dialogar com as regionais de ensino. É necessário que a EAPE tenha um canal contínuo e institucional de escuta das demandas dos professores regentes. Precisamos compartilhar grandes ideias sobre realidades diversas, tão cheias de especificidades”, argumentou.

 

O professor e mestre Douglas Silva é formador e trabalha com o ensino da matemática para pessoas com deficiência visual | Foto: Daniel Fama, EAPE/GITEAD

O professor e mestre Douglas Silva é formador no curso Adequações Curriculares, Planejamentos e Registros com um enfoque bem específico. Ele trabalha com o ensino da matemática para pessoas com deficiência visual e, neste semestre, seu curso conta com 80 inscritos. “Enfatizo também que a formação continuada é de fundamental importância para atender aos diferentes públicos da rede pública. É uma experiência muito rica para que possamos fazer uma educação pública de qualidade, mas precisamos também fortalecer, ampliar e criar estratégias para a divulgação dos cursos que ocorrem no noturno e precisamos de mais professores e de formações com outras temáticas”, ressaltou.

 

A professora da EC 13 de Taguatinga, Virgínia França, trabalha com 17 estudantes do 5º ano do ensino fundamental. Os alunos apresentam necessidades educacionais especiais, é uma turma inclusiva e inversa e devido à pandemia da COVID-19, apresentam também outras dificuldades decorrentes desse período. Por essas características, a professora escolheu fazer o curso Adequações Curriculares, Planejamentos e Registros, às quintas-feiras, à noite, com o professor Douglas. “Essa formação no noturno é importante, pois amplia a possibilidade de acesso a outros profissionais nesse horário, além do diurno. As aulas são motivadoras, possibilitam partilhas e auxiliam no processo de ensino e de aprendizagem. As formações oferecidas pela EAPE permitem que nossas ações pedagógicas tenham mais qualidade. Cabe destacar que a formação continuada é um investimento na educação. Ao investir no professor, investe-se no principal protagonista de nossa ação: os estudantes”, concluiu Virgínia.

 

A formação dos formadores

 

Valdério Costa faz mestrado em Artes na UnB: grupo de formadores do noturno também investem em formação | Foto: Daniel Fama, EAPE/GITEAD

O grupo de formadores do noturno também investiram e investem em formação: são especialistas, mestres e doutores. Por exemplo, o professor de artes visuais e formador da EAPE, Valdério Costa, trabalha 60h na Secretaria de Educação, acredita na proposta dos cursos e também está em processo de formação. Ele está afastado 40h para fazer o Mestrado Profissional em Artes na Universidade de Brasília e as outras 20h trabalha no noturno. “Meu projeto de mestrado aborda a questão didático-pedagógica de cursos de formação continuada que envolvem arte, criatividade e aprendizagem baseada em projetos. É necessário e importante que eu esteja trabalhando com os professores cursistas da rede pública de ensino, ou seja, com a formação continuada. Ao estudar metodologias e disciplinas ligadas à arte, o interessante é levar o conhecimento que impacte o público-alvo principal da Secretaria de Educação: os estudantes”, justificou o professor. Ainda de acordo com Valdério, o grupo de formadores trabalha com afinco para que o espaço de formação no período noturno permaneça.

 

A EAPE no período noturno: presente!

 

Entre 17h e 18h, a movimentação de fim de expediente é evidente na EAPE. Os cursistas presentes movimentam-se com pressa, muitos formadores e coordenadores recolhem materiais, finalizam trabalhos e depois seguem em direção aos estacionamentos da subsecretaria, pois o trânsito a partir desse horário já é bem intenso.

 

Entre 18h e 19h, os corredores estão quase vazios. Os funcionários da segurança verificam os espaços internos e outros servidores finalizam a limpeza de alguns ambientes. Os miados de dois gatinhos quebram o quase silêncio e dão um tom inusitado para um local de formação. Os raios solares já perderam a força e o anoitecer, com suas características, já impera.

 

Às 19h, tem início outra movimentação. Os formadores do período noturno começam a chegar. Todos trabalharam ou estudaram durante o dia, mas o entusiasmo e a dedicação de reencontrar os colegas para as coordenações coletivas não deixa evidente o cansaço já acumulado. Ao contrário, percebe-se um grupo que vibra com a possibilidade de realizar uma formação continuada de qualidade.

 

O professor de biologia Silvio Miranda é um exemplo de dedicação e também de empolgação. Com carga horária de 20h, ele tomou posse na Secretaria de Educação em 2013 no auditório da EAPE. Desde então, atuar na EAPE foi um sonho que se tornou realidade em 2019. Durante o dia, ele trabalha como médico veterinário e, à noite, atua como formador. “Eu adoro ser professor e sempre desejei atuar para multiplicar conhecimento. Quero destacar que a EAPE está viva e forte na formação dos profissionais de educação também no noturno. A EAPE é e está presente para todos”, ressaltou o formador.

 

O formador Bruno Borges de Castro também enfatizou que a EAPE no noturno é um encontro de boas práticas e um exemplo para todo o país. “No Brasil, não há experiência similar ao que foi desenvolvido nas últimas décadas no Distrito Federal. Ter um espaço de formação continuada com status de subsecretaria só tem paralelo em países de Primeiro Mundo. A EAPE é um espaço de resistência da educação pública de qualidade, é um espaço para que os professores possam, de maneira colaborativa, formar outros professores. É um símbolo de como podemos e devemos fortalecer a formação continuada dos profissionais de educação. Com uma pluralidade de cursos, com mais diálogo e divulgação, pretendemos alcançar mais professores cursistas”, finalizou Bruno.

 

Se, durante o dia, na maioria das vezes, o calor e o brilho do sol aquecem a formação na EAPE; à noite, a dinâmica é outra. No escurinho da noite, o luar e as estrelas acompanham os formadores e cursistas nas trilhas do aprendizado!

 

Segue abaixo a relação de cursos da EAPE oferecidos no noturno. Ao clicar no nome da formação, você pode conferir os planos de curso.

 

 

Podcast Informativo EAPE

 

A formação continuada no período noturno também ocorre na Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação. Esse foi o tema da quinta edição do podcast Informativo EAPE. Esse trabalho apresenta reportagens de até cinco minutos que são compartilhadas nas principais plataformas de streaming, pelo Whatsapp e ficam disponíveis aqui também.

Para ouvir o áudio, é só dar o play no link abaixo:

 

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