Governo do Distrito Federal
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Cejaep oferece futuro a quem não teve oportunidade no passado

Alunos da escola de EJA a distância têm em comum a superação das dificuldades por meio da retomada dos estudos

 

Aldenora Moares/Ascom SEEDF

 

Aos 63 anos, Maria Divina de Oliveira Sá realizou um sonho de infância. A estudante era um dos 98 formandos do Centro de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional a Distância (Cejaep EAD), na noite desta quinta-feira (19), na EAPE. A escola da rede pública de ensino do DF oferece educação de jovens e adultos (EJA) gratuita e a distância e tem atualmente 767 alunos no 2ª segmento (anos finais do ensino fundamental) e 1.245 no 3º segmento (ensino médio). A média de tempo dos alunos fora da escola é de 10 anos. Quarenta anos separavam a dona de casa Maria Divina dos bancos escolares.

 

 

“A principal característica da unidade é ser uma escola sem muros e sem barreiras”, afirma a diretora do Cejaep, Indira Rehem, acrescentando: “Efetivamente há a democratização do acesso à educação para todos. Cada estudante tem uma rica história de vida e vê na educação a possibilidade da mudança e da superação”.

 

A história de Maria é parecida com a de todos os demais estudantes da unidade. Pouca ou nenhuma oportunidade no passado e muita vontade de superar estas dificuldades no futuro. Maria era arrimo de família. Ainda jovem teve de ajudar os pais, depois veio o casamento e o nascimento dos filhos e o sonho de se formar no ensino médio foi sendo adiado. “Era uma frustração, por isso minha família me incentivava a dar continuidade aos estudos. Hoje realizei meu sonho”, afirmou a aluna.

 

A história de Alef
A história de Ana mais se aproxima de um conto de fadas se a comparamos a de Alef, outro formando desta quinta-feira (20), que também não é tão distante das dos demais estudantes. Ele a conta de próprio punho e nós a publicamos aqui:

 

“Eu me chamo Alef, tenho 24 anos, sou nascido em Santo André, São Paulo. Fui criado no estado do Pará. Minha história de vida não é muito diferente de muitos não, sou de uma família muito carente, tipo bem pobre mesmo. Vi minha mãe passar por várias dificuldades para sustentar a mim e mais cinco filhos. Vi minha mãe passar por situações constrangedoras para cuidar dos filhos. Aos 13 anos comecei a roubar. Comecei a roubar celular na rua, depois fui roubar à mão armada em mercado, farmácia, lanchonete. Roubei até os meus 18 anos, quando nasceu minha filha Heloísa, que hoje tem seis anos. Logo que ela nasceu, resolvi mudar de vida. Um detalhe: larguei os estudos com 13 anos, quando comecei roubar. Quando mudei para Goiás, conheci o evangelho e transformei minha vida. Comecei a trabalhar e logo tive uma esperança. Incentivado por amigos resolvi voltar estudar. No começo, morria de vergonha. Um homem de 20 anos ainda fazendo o 4ª ano do ensino fundamental. Só que muita gente me incentivava dizendo que eu iria conseguir. Passou um tempo e eu aceitei o chamado de Deus para minha vida: ir para o campo missionário. Logo que eu mudei para o campo missionário, meus coordenadores disseram que eu teria que estudar. Foi então que conheci o Cejaep. Estudei a distância por algum tempo. Então fiz a prova do Encceja, passei e agora o coração bate feliz de saber que Deus me ajudou a terminar os estudos. Agora vou me dedicar à faculdade e conquistar minha profissão. Se Deus quiser.”

 

Cejaep

 

O Cejaep realiza duas formaturas por ano. Elas são optativas. Muitos participam efetivamente, outros desejam, mas dependem da liberação do trabalho ou do transporte coletivo, moram distante e não conseguem chegar. Dos 98 formandos deste ano, 80 compareceram à EAPE. Muitos alunos concluíram pelo Encceja, mas até o momento a equipe do Cejaep não tem como precisar quantos eles são.

 

 

Embora existisse como projeto desde 2005, o Cejaep EAD tornou-se efetivamente uma escola só no ano passado. Em 2020 vai oferecer também educação profissional por meio do curso técnico da Secretaria Escolar, também a distância. A novidade vai atrair mais estudantes. “Estamos em um processo de transformação da oferta da EJA na cidade. Aprovamos novas diretrizes, estamos integrando a oferta com a educação profissional e atuando para tornar a modalidade mais atrativa ao público-alvo”, explicou o subsecretário de Educação Básica, Helber Vieira.

 

O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) tem contribuído para o acesso à educação. No Cejaep EAD, os estudantes utilizam a tecnologia como ferramenta de estudo. Eles têm acesso às disciplinas e tarefas por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) cuja plataforma utilizada é o Moodle. Além de poupar dinheiro e tempo, a facilidade e efetividade comprovadas têm sido um atrativo para novos alunos.

 

O Cejaep atende estudantes a partir dos 15 anos para o ensino fundamental (2º segmento) e a partir dos 18 anos, para o ensino médio (3º segmento). Após a matrícula, eles participam de uma aula inaugural, um dos momentos presenciais do curso, onde são orientados sobre o ambiente virtual, o atendimento e as avaliações.