Governo do Distrito Federal
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9/03/21 às 14h40 - Atualizado em 9/03/21 às 14h48

Aldir e Morricone eternos

Concerto de encerramento do 42º Curso de Verão da Escola de Música reverencia dois gênios da música

 

Íris Cruz, Ascom/SEEDF

 

| Foto divulgação

 

 

❝ Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

 

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar❞

 

Quando compôs esses versos, em 1978, Aldir Blanc se referia à opressão da liberdade nacional pela ditadura militar. Afirmava que a esperança, como um equilibrista, andava naqueles tempos por uma fina e tênue linha, mas tinha que seguir em frente, até que aquilo tudo acabasse.

 

Blanc morreu ano passado de Covid-19. Seu verso, aplicado aos dias atuais, em que a mesma pandemia que o vitimou ainda assola o país, continuam vivíssimos.

 

Como se pode ver no último sábado, 6, no concerto de encerramento da primeira versão on-line do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (CIVEBRA). O evento foi transmitido ao vivo no Youtube , ainda está disponível no canal da Escola de Música de Brasília.

 

Blanc foi um dos homenageados deste ano, de longe a maior de suas 42 edições, com mais de 9 mil estudantes de música inscritos. O outro homenageado foi o também genial compositor italiano Ennio Morricone, morto em 2020.

 

Segundo o diretor da Escola de Música e flautista Davson de Souza, tal homenagem surgiu inspirada por um resgate histórico importante e marcante para a música. Ambos os homenageados morreram em meio às tantas perdas do ano de 2020, mas deixaram um legado rico, que pulsa na veia da cultura mundial.

 

No meio musical, a morte de Ennio Morricone foi uma grande perda. Ele foi um super compositor, com anos de história, tradição e composição de muitas trilhas sonoras de filmes famosos, que nos emocionaram e nos emocionam até hoje. Já Aldir Blanc tem um grande significado para a música popular brasileira e composições que marcam nossa história“, conta o diretor, ao explicar que tradicionalmente o CIVEBRA faz referência a um grande compositor estrangeiro e outro nacional.

 

Morricone compôs mais de 400 partituras para o universo da televisão e do cinema, tendo mais de 100 obras clássicas. Encantou e ainda encanta o mundo com a construção de melodias e harmonias que marcam épocas e cenários únicos no imaginário social.

 

Assim, como ele, Aldir Blanc terá sempre um espaço no coração dos amantes da música. Parceiro na trajetória musical de João Bosco, Blanc é uma das figuras centrais na Música Popular Brasileira.

 

▏A união por meio do digital 

 

Além do conteúdo marcante, os números também são significativos e históricos para o meio musical brasiliense, pois a Escola de Música está prestes a completar 55 anos.

 

 

Hoje é uma felicidade enorme poder, junto com uma equipe maravilhosa e super competente, ter conseguido resgatar o CIVEBRA aos seus moldes e princípios originais e ao mesmo tempo dar um toque de modernidade com o advento do virtual e com isso conseguir ter alcançado estudantes que, pela distância onde moram, não conseguiam fazer aulas no curso❞

Davson de Souza, diretor da Escola de Música e flautista

Dessa forma, Davson de Souza celebra a possibilidade de proporcionar aulas on-line e, com isso, alcançar estudantes do extremo norte do país ao extremo sul. “Hoje é uma felicidade enorme poder, junto com uma equipe maravilhosa e super competente, ter conseguido resgatar o CIVEBRA aos seus moldes e princípios originais e ao mesmo tempo dar um toque de modernidade com o advento do virtual e com isso conseguir ter alcançado estudantes que, pela distância onde moram, não conseguiam fazer aulas no curso“, acrescenta.

 

O evento virtual contou com a participação de músicos de diferentes lugares do mundo, os quais têm relação afetiva com a Escola de Música. Cada apresentação foi gravada pelos próprios músicos e professores e, juntas, formaram um show repleto de significado.  A conexão entre os protagonistas do palco ficou clara e transpareceu o sentido de união guiado pela admiração aos artistas homenageados.

 

No início do evento, o Secretário de Estado de Educação do Distrito Federal, Leandro Cruz, falou sobre a importância de valorizar a cultura no contexto conflituoso causado pela Pandemia do Covid-19. “Nesse ano de tantas notícias ruins, de tanta tristeza e de tanta angústia, o CIVEBRA é uma ilha de alegria, uma ilha de amor e uma ilha de realizações na área cultural e educacional de Brasília“, falou o secretário, ressaltando a grandiosidade da edição deste ano, que teve recorde de participação, com 9.300 inscrições.

 

Ainda sobre a importância valorização da cultura musical em um contexto de distanciamento social, Davson de Souza defende a música como um meio de escape e reconexão com a própria essência. “Poder realizar um concerto desse jeito é muito interessante. Já que através do repertório da música você pode viajar pelo mundo e pelo tempo, é aí que a música salva“, acrescenta.