Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
26/06/19 às 13h11 - Atualizado em 26/06/19 às 16h11

Alunos estrangeiros compartilham experiências culturais

Aldenora Moraes, Ascom/SEEDF

 

Rede Distrital de Educação atende cerca de 460 estudantes de outras nacionalidades

 

A venezuelana Maria Alejandra veio para o Brasil com sua família em 2018. Foto: Luis Tavares, Ascom/SEEDF

Pelos corredores do Centro de Ensino Fundamental Athos Bulcão (Cefab), no Cruzeiro, já passaram estudantes das mais diversas nacionalidades. São chineses, venezuelanos, coreanos, cubanos, japoneses… De acordo com dados de 2018, a Rede Distrital de Educação atende aproximadamente 460 estudantes estrangeiros.

 

No mês em que se comemora o Dia do Imigrante e do Refugiado, conhecemos Maria Alejandra Ruiz, 13 anos, que cursa o 8º ano na unidade escolar. Articulada, mal se percebe o sotaque da terra natal. A estudante venezuelana nos conta que chegou ao Brasil no ano passado com a mãe. Seus dois irmãos também estudam em escolas públicas e um deles recebe atendimento especial na educação infantil.

 

Alejandra confessa que foi preciso um tempo para se adaptar. “A cultura é muito diferente”, esclarece. Para promover a troca de experiências culturais, a escola já convidou a família para uma tarde onde foram apresentadas comidas típicas da Venezuela. Tais oportunidades são incentivadas pela equipe gestora. “Temos consciência da riqueza cultural que esses estudantes trazem. Ao mesmo tempo em que aprendem, nos ensinam”, ressalta a diretora Mirian Silveira.

 

Para o professor de inglês e doutorando Marcelo Carmozini, tais trocas são valiosas. O docente, que atua na Unidade Regional de Educação Básica (Unieb) da Coordenação Regional de Ensino do Paranoá, e cuja tese aborda estudantes estrangeiros nas escolas públicas do DF, destaca a importância do acolhimento adequado para as crianças e adolescentes estrangeiros.

 

“Em nossa Rede já trabalhamos com a perspectiva da inclusão, mas, dependendo do tronco cultural e linguístico, o imigrante pode ter um período de adaptação um pouco mais longo”, afirma o doutorando. Segundo Marcelo, é preciso diferenciar alguns conceitos, como o de imigrante e o de refugiado, para que possamos compreender a realidade desses alunos.

 

“O refugiado é aquele que chega ao país em situação de risco, escapando de conflito armado, perseguição religiosa, guerras. Negar asilo a esse indivíduo pode ser fatal. É preciso que ele seja acolhido por uma questão humanitária. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 60 milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar em virtude desses problemas” esclarece. Já o imigrante é um indivíduo de outro país ou apátrida, que trabalha ou reside e se estabelece temporária ou definitivamente no Brasil.

 

Experiência desafiadora

 

Foto: Luis Tavares, Ascom/SEEDF

Há casos também como o do estudante do 8º ano, Gabriel Xú, de 13 anos, cujos pais e um dos irmãos são chineses. Embora tenha nascido no Brasil, o aluno também cita a cultura como uma das dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar. Fã de Matemática, ele é conhecido no Cefab por solucionar cubos mágicos com uma velocidade impressionante e por disseminar na escola, junto com outros estudantes chineses, o interesse pelo tênis de mesa, o xadrez e o judô.

 

Na Escola Classe 708 Norte, que também conta com estudantes estrangeiros, a aluna Maria Eduarda Oliveira, de 7 anos, que cursa o 2º ano, comemora esses encontros. “Conheço um aluno que ainda não é alfabetizado, então eu o ajudo para conhecer o português. Eu e os meus colegas gostamos da presença dele”, relata.

 

A professora de artes, do Cefab, Wanuza Marques, destaca a dinâmica da sala de aula como um dos desafios no atendimento aos estudantes. “É preciso um período de adaptação porque é uma experiência desafiadora, mesmo. Às vezes, há uma resistência dos alunos. Mas também nos surpreendemos agradavelmente. Os estudantes chineses são muito disciplinados, por exemplo”, explica Wanuza.

 

Os desafios e a capacidade de superação são reiterados pela estudante Maria Alejandra que se vê dividida entre o Brasil e sua pátria. “Meus parentes que ficaram na Venezuela sabem que há um bom futuro para mim no Brasil, mas também gostariam que eu voltasse. Tenho vontade de retornar a minha terra”, afirma decidida. Despedimo-nos com a convicção de que certo estava Guimarães Rosa: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

 

Estudantes estrangeiros