Governo do Distrito Federal
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2/05/19 às 15h53 - Atualizado em 3/05/19 às 18h27

Criatividade dá o tom no ensino de matemática

Aldenora Moraes, Ascom/SEEDF

 

Alegria para alguns, terror para outros, a matemática não deixa os estudantes indiferentes. Segundo dados de 2017, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), quando deixam a escola, ao final do ensino médio, mais da metade dos estudantes, 57,8%, diz gostar de estudar matemática.

 

Foto: Luis Tavares, Ascom/SEEDF

A recepcionista bilíngue, Karen Lorrane, no entanto, não faz parte dessa estatística. “Sempre tive dificuldade quanto à matemática e minha mãe, que é pedagoga, chegou a desconfiar que eu tinha discalculia”, confessa. O transtorno de aprendizagem citado por Lorrane caracteriza-se por uma dificuldade de pensar, avaliar ou raciocinar acerca de tarefas que envolvam conceitos matemáticos.

 

Para os professores Alexandre Carvalho e Mateus Farias, ambos da Coordenação Regional de Ensino do Gama, a criatividade é um elemento que não pode ser menosprezado no ensino da matemática e pode auxiliar efetivamente estudantes com dificuldades. Os docentes, que são doutorandos em matemática, têm compartilhado suas pesquisas e, recentemente, lançaram o livro “Criatividade em matemática – conceitos, metodologias e avaliação”, em parceria com o professor Cleyton Gontijo, da Universidade de Brasília (UnB) e Mateus Gianni Fonseca, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB).

 

As investigações têm sido apresentadas a grupos diversificados. A última edição dos Seminários de Educação Matemática contou com psicólogos, matemáticos, pedagogos e filósofos. Segundo Alexandre Carvalho, coordenador no Centro de Ensino Fundamental Ponte Alta, no Gama, as habilidades criativas são previstas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e devem ser utilizadas. Os critérios para que sejam avaliadas contemplam desde a flexibilidade, à originalidade e fluência.

O erro faz parte do caminho

Foto: Luis Tavares, Ascom/SEEDF

O uso de estratégias de estímulo à criatividade tem sido encorajado. As tarefas são propostas aos estudantes, que devem resolver problemas matemáticos, racionalizar a respeito do que foi feito, redefinir problemas. Segundo a professora Ildenice Lima Costa, da Escola Classe 19 de Taguatinga, cujos alunos do 4º ano participaram do projeto, foram realizadas oito oficinas de criatividade “Foi uma experiência muito interessante do ponto de vista da aplicabilidade da teoria. Os alunos gostaram muito das oficinas, se sentiram à vontade, se comprometeram completamente, interagiram entre si e junto com os professores e aplicadores. Era um dia diferente na escola, um dia lúdico”, relembra.

 

A experiência também é ressaltada pelo professor Mateus Gianni, do IFB. “É desafiador trazer a academia para a escola e transpor o conceito de criatividade para que se torne um estímulo que pode ser desenvolvido na sala de aula”, destaca. Sua afirmação é reiterada pelo professor Mateus Farias: “Para o estudante é fundamental pensar nas múltiplas formas de observar um problema e propor vários métodos de resolução”, afirma.

 

Apaixonados pela matemática, os professores, de forma unânime, entoam o princípio da criatividade: o erro faz parte do caminho.

 

De acordo com o psicólogo e analista do Tribunal Regional Federal, “a criatividade é valorizada em nossa sociedade em todas as áreas. Estudos da Psicologia da inteligência confirmam que sua origem ainda permanece sendo uma incógnita. Contudo, já se sabe que, todos nós somos criativos, mas devemos ser estimulados”, explica.

Obra original

Foto: Luis Tavares, Ascom/SEEDF

De acordo com o professor Cleyton Gontijo, da UnB, o diferencial do livro “Criatividade em matemática” é ser a primeira obra no Brasil que aborda as teorias de criatividade aplicadas ao ensino da matemática. “O objetivo é fazer com que os professores desenvolvam novas formas de trabalhar em sala de aula que deixem os estudantes estimulados para o aprendizado e que isso possa, tanto elevar os índices de aprendizagem, quanto fazer com que esses estudantes repensem as carreiras científicas e tecnológicas e das ciências da natureza que dependem do conhecimento matemático”, ressalta o docente.

 

Gontijo coordena o projeto de extensão Seminários de Pesquisa em Educação Matemática, que é realizado quinzenalmente, na UnB, e aberto à comunidade.