Governo do Distrito Federal
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11/05/20 às 8h52 - Atualizado em 11/05/20 às 13h25

Professores unem o ensino, o humor e a tecnologia

Durante a suspensão das aulas em razão da covid-19, o ensino mediado por tecnologia é o maior aliado da escola

 

Nathália Borgo, Ascom/SEEDF

 

José Alderi Magalhães, avô de Júlia Rodrigues Magalhães, do 3º ano do Ensino Médio do CED 5, tem certeza de que a neta precisa do incentivo do ensino mediado para seguir a caminhada. Foto: Divulgação

 

O ensino mediado por tecnologia é o maior aliado da escola durante a pandemia da covid-19, que levou à necessidade de suspensão das aulas. Professores e estudantes da rede pública estão se adaptando à nova realidade cada vez mais. O CED 5, de Taguatinga, é uma das unidades que já incorporou o uso da metodologia ao cotidiano.  Mais de 100 professores da escola e 70% dos mais de mil estudantes já usam a plataforma Google Sala de Aula. Para aqueles que não podem utilizá-la, a direção estuda a oferta de materiais impressos com base no que já oferece on-line.

 

As famílias também compreenderam. Para José Alderi Magalhães, avô de Júlia Rodrigues Magalhães, do 3º ano do Ensino Médio do CED 5, o ensino a distância não substitui o método presencial, mas tem certeza de que ela precisa deste incentivo para seguir a caminhada. “Espero que tudo volte ao normal logo e que a minha neta, assim como seus colegas, não sejam prejudicados. Mas, enquanto isso, o melhor é continuar estudando em casa e, é preciso dizer, o apoio dos professores tem feito a diferença”.

Redes ganham novo sentido

A ampla aceitação deu novo sentido ao mundo virtual no CED 5. Até então usadas para contatos pessoais ou para manter as conversas sociais em dia, professores e estudantes também estão usando redes como o Instagram, o Facebook, o YouTube ou o WhatsApp como ferramentas cotidianas no processo de ensino-aprendizagem.

 

O professor de física, Marco Aurélio Silva, abriu vários canais para que ninguém fique sem estudar. Com uma pitada de humor e muita criatividade, o docente mantém atualizadas suas páginas no Instagram, Facebook e YouTube. Ele posta fotos e pequenos vídeos de experimentos, com duração de até um minuto, com demonstrações sobre termômetros, circuitos elétricos, trabalhos de alunos e resumos de quadro e cadernos. Enquetes também fazem parte da rotina, como forma de engajar os estudantes.

 

O professor de física, Marco Aurélio Silva, do CED 05, de Taguatinga, abriu vários canais para que ninguém fique sem estudar. Enquetes também fazem parte da rotina, para manter os estudantes engajados.

 

Depois da pandemia, a adesão aos seus perfis tem sido muito boa, demonstrando o interesse dos estudantes, professores e mesmo de familiares que desejam acompanhar o que está acontecendo. “No Instagram, criei quatro grupos, dois para professores e responsáveis, e dois para estudantes, onde encaminho materiais e peço para divulgarem com os amigos”, conta Marco.

 

Ele adianta que está planejando ofertar material para aqueles que não têm acesso à Internet. Até a pandemia, estes estudantes eram atendidos em um sistema off-line, com o empréstimo de um HD de onde eles podiam copiar e compartilhar arquivos em PDF, slides e músicas.

 

O diretor da escola, Elcilênio Alves de Freitas, diz que o retorno positivo ajuda a aumentar as adesões. “Já temos aulas que estão sendo postadas e acessadas por todos das turmas. Com certeza, um resultado excelente”, enfatiza, informando que 70% dos estudantes estão acompanhando as atividades pelos meios virtuais.

 

“Desejo que todos os estudantes um dia possam ter esse acesso à internet, porque a educação evoluiu e não há como o método atual continuar vigorando”, afirma Leidiane Braga, professora de História da escola, defendendo que seu papel, enquanto educadora, é o de se adaptar à nova realidade.”

 

Leidiane Braga, professora de História do CED 5, de Taguatinga, defende que seu papel é o de se adaptar à nova realidade.

 

Ainda sem familiaridade com as videoaulas, ela prefere disponibilizar vídeos mais dinâmicos e bem editados de docentes já acostumados com a rotina virtual. O trabalho, depois, fica por conta dos resumos, PowerPoint e questionários que ela cria com base nesses materiais. Apesar da timidez, a professora criou um canal no YouTube, onde disponibiliza vídeos completos e editados com as dúvidas enviadas pelos stories do Instagram.

 

Leidiane também sentiu a necessidade de fazer uma pesquisa entre os alunos para saber qual rede é mais utilizada para, então, criar uma página no Instagram.

 

Mas muitos professores já estavam acostumados a usar a plataforma. Há dois anos a escola já utiliza o Google Sala de Aula. Todo o conteúdo está sendo transferido, para que os estudantes que dispõem de Internet acessem suas turmas e participem com seus grupos das atividades.

Turma e professores conectados pelo WhatsApp

O esforço dos professores conta ainda com a ajuda dos estudantes. Para facilitar o contato e o compartilhamento de informações, lembretes e atividades, dois representantes de cada turma da escola foram inseridos em um grupo no WhatsApp com os docentes, a supervisora pedagógica e os coordenadores pedagógicos.

 

Maria Eduarda Siqueira, do 3º ano, teve a ideia de criar grupos de WhatsApp com representantes de turma, professores, supervisora e coordenadora pedagógica. Foto: Divulgação

 

A ideia, que partiu da estudante Maria Eduarda Siqueira, do 3º ano, era manter os professores por perto em caso de dúvidas ou problemas no aprendizado. Mas foi muito mais longe. “No início disso tudo ficamos um pouco perdidos. Estávamos acostumados com a presença deles [professoes], o que nos deixou muito dependentes. O grupo facilitou nossos estudos. Os professores mandam as atividades e conteúdos e a gente compartilha com os outros grupos das nossas turmas”, conta Maria Eduarda.

 

Júlia, a neta de José Alderi, reconhece que a iniciativa dos professores não substitui a sala de aula, mas é muito importante para manter o foco nos estudos: “É muito melhor do que ficar em casa sem direcionamento e acompanhamento. As aulas virtuais ajudam a atravessar esta quarentena e a insegurança deste momento”.