Governo do Distrito Federal
28/10/22 às 12h01 - Atualizado em 28/10/22 às 12h05

Escola transforma banheiro feminino para ajudar alunas que tenham sofrido violência

Projeto “Flores na Escola”, do CED 310 de Santa Maria, ganhou o 3º lugar em premiação do TJDFT

Tainá Morais, Ascom/SEEDF

 

O objetivo do projeto é acalentar e abraçar mulheres, tanto alunas, quanto servidoras | Foto: Álvaro Henrique, Ascom/SEEDF

 

A expressão mais significativa do ser humano são as lágrimas. Elas expressam todo tipo de sentimento, seja alegria, tristeza, luto, saudade, vitória ou emoção. Com o objetivo de enxugar as lágrimas de tristeza e acalentar alunas e servidoras que já tenham sofrido algum tipo de violência, o Centro Educacional (CED) 310 de Santa Maria resolveu criar o projeto “Flores na Escola”, que foi premiado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) no Programa Maria da Penha vai à Escola. A iniciativa ficou em 3º lugar.

 

Os gestores escolares ressignificaram o espaço do banheiro feminino, que costuma servir de refúgio para as meninas que estão com algum problema. Além de disponibilizar absorventes no local, prática comum, a escola oferece mensagens de representatividade para reforçar a autoestima das estudantes da instituição e a caixinha SOS Emocional, na qual as meninas podem pedir ajuda diante de alguma situação que estejam vivenciando. Esses pedidos são recolhidos e encaminhados para um atendimento especial.

 

Quem diria que um simples banheiro poderia transformar vidas”, afirma a professora Margareth de Brito, idealizadora do projeto. Durante o processo de reforma e decoração do ambiente escolar, a docente, que já foi vítima de violência doméstica, identificou algumas alunas que também passaram por uma situação delicada. “O banheiro era o lugar que eu encontrava para chorar e sempre saía de olho vermelho tendo que inventar algum motivo. A maioria das meninas que estão com algum problema vão para o espaço fazer o mesmo”, explica.

 

Na caixinha SOS Emocional as alunas podem pedir ajuda e serem acolhidas pela escola | Foto: Álvaro Henrique, Ascom/SEEDF

Além dos recados disponíveis no local, por toda a parede foram estampadas fotos de mulheres que foram vítimas de violência doméstica, como Elza Soares, Célia Xakriabá, Djamila Ribeiro, entre outras personalidades. Nos quadros, um QR Code possibilita ler as histórias relatadas por elas.

 

Um espelho grande também foi colocado na parede. Ali elas podem se olhar, se sentir lindas, se fotografar e, principalmente, ver que são capazes de enfrentar qualquer problema.

 

Acolhimento

 

Com a ajuda de alunas e também de alunos do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio, o projeto se mantém ativo desde 2017, quando foi criado. Para a estudante do 2º ano Maria Marcela, 16 anos, foi de extrema importância contribuir para o desenvolvimento do ‘Flores na Escola’.

 

Foi legal a Margareth ter me envolvido no projeto, porque já sofri violência e o meu principal apoio veio de dentro da unidade escolar. Uma vez entrei neste banheiro e avistei duas meninas chorando, a minha reação foi somente abraçá-las. Foi aí que vi o poder de ajudar o próximo. Isso me conforta e me faz acreditar que estamos fazendo a coisa certa. Não desejo que outras mulheres vivenciem os mesmos traumas que eu”, relata.

 

Empatia

 

Apesar da iniciativa ser voltada para as mulheres, alguns meninos da instituição de ensino também colocaram a mão na massa. O aluno do 2º ano, Maxuel Sousa, 17 anos, produz um filme que aborda o tema da lei Maria da Penha, no qual o principal objetivo é mostrar como foi desenvolvido o Projeto ‘Flores na Escola’. “A ideia é trabalhar a questão do banheiro. Nele, nós vamos contar a história de uma menina que tinha diversos problemas, mas que não tinha coragem de falar”, explica.

 

O projeto “Flores na Escola” foi premiado, em 3º lugar, pelo TJDFT | Foto: Álvaro Henrique, Ascom/SEEDF

 

Responsável pela escola e pelo projeto no período pós-pandemia, o orientador educacional Marcos de Sousa explica que os relatos de traumas aumentaram e o objetivo da gestão escolar é fazer com que todos os alunos se envolvam e auxiliem uns aos outros. “Eu consigo enxergar que não só as meninas, mas os meninos também conseguem se colocar no lugar do outro e têm empatia. Isso é importante para nós e para a convivência”, frisa.

 

Estamos conseguindo ser motivadores e fazer com que as meninas cuidem umas das outras”, afirmou o estudante Mikael Dias, 16 anos, que também contribuiu para a construção do “Flores na Escola”.

 

O orientador aproveitou para parabenizar o trabalho de toda a equipe envolvida que fez a escola levar a premiação em terceiro lugar. “As meninas tiveram coragem de falar sobre elas e de serem acolhidas. Eu tenho muito prazer em poder participar disso tudo e parabenizo e agradeço aos meninos com as atitudes deles, porque ficamos encantados. Essa premiação demonstra que estamos colhendo os frutos desse projeto que está sendo implementado e realizado com êxito”.

 

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