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17/01/22 às 8h23 - Atualizado em 17/01/22 às 8h23

Ópera “O Caixeiro da Taverna” abre Curso Internacional de Verão

Apresentação aconteceu na noite deste domingo, 16, no Teatro Levino de Alcântara

Nayara Oliveira | Ascom/SEEDF

 

Ópera “O Caixeiro da Taverna”, do maestro Guilherme Bernstein, é baseada na obra homônima do dramaturgo Martins Pena (1815-1848), introdutor da comédia de costumes no Brasil. Foto: Mary Leal | Ascom/SEEDF

 

A Escola de Música de Brasília (EMB) apresentou, neste domingo, 16, a ópera “O Caixeiro da Taverna”, do maestro Guilherme Bernstein, com regência do maestro Edvan Moraes. O evento fez parte da abertura da 43ª edição do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra), que terá aulas que vão desde aprender a tocar instrumentos musicais até capacitação em canto.

 

O espetáculo é baseado na obra homônima do dramaturgo Martins Pena (1815-1848), introdutor da comédia de costumes no Brasil. Mentiras, confusões, mal-entendidos e um final inusitado marcam a história.

 

O português Manoel é gerente de uma taverna que pertence à viúva Angélica. Está cansado de ser apenas um serviçal e acredita que tem potencial para ser sócio de Angélica. Mas a viúva não o quer apenas como sócio, e sim como marido.

 

Acontece que ele já é casado em segredo com a jovem costureira Deolinda. Nem o irmão de Deolinda, o militar Quintino, sabe desse casamento. Para completar, o amigo de Manoel, Francisco, também está interessado em Angélica.

 

Brasilidade

 

Para o maestro regente da ópera, Edvan Moraes, “O Caixeiro da Taverna” oferece um diferencial um tanto quanto inusitado: o som da brasilidade. O espetáculo tem um texto brasileiro e com influências nacionais, como o samba e alguns ritmos regionais.

 

Este trabalho é interessante, principalmente para quem está começando a assistir o gênero [ópera], porque é em português”, disse o maestro regente, Edvan Moraes. Crédito: Mary Leal | Ascom/SEEDF

 

Ópera é essencialmente teatro com música e este trabalho é interessante, principalmente para quem está começando a assistir o gênero, porque é em português. Às vezes, a gente vai assistir uma ópera em italiano e diz ‘não entendi nada, não consegui acompanhar a história”, ressaltou Moraes.

 

As desventuras do personagem Manoel abrem espaço, ainda, para uma ópera sensitiva. Além do idioma nacional, o que facilita a compreensão, o enredo é carregado de situações cômicas cotidianas.

 

É um espetáculo leve, extremamente familiar. O riso é espontâneo – às vezes, de identificação com aquele personagem, talvez com pessoas que se conhece: a avareza de um personagem, a mesquinhez do outro, o ciúme de uma terceira. E isso traz pra comédia uma sensação de bem-estar na plateia muito grande”, disse o diretor e tenor da obra, Lício Bruno.

 

Foi a primeira vez que Vitoria Rodrigues, de 20 anos, foi a uma ópera. A jovem foi convidada por uma amiga musicista e ficou interessada ao saber que o evento era aberto a todos. “Nunca tinha vindo e acho que a iniciativa de abrir ao público é uma coisa boa. E eu gosto de música. Quem sabe depois de hoje não resolvo estudar”, contou a jovem.

 

43º Curso de Verão

 

O Civebra é motivo de orgulho para a instituição e a abertura sempre é marcada por um grande espetáculo. “Todo o cuidado foi tomado na organização da apresentação, em respeito aos protocolos contra a covid-19: uso obrigatório de máscara, distanciamento social, inclusive na escolha das cadeiras, com espaçamento e lotação reduzida”, comentou o diretor da EMB, Davson de Souza.

 

O espetáculo aconteceu no Teatro Levino Alcântara, localizado na própria Escola de Música de Brasília, na Avenida L2 Sul, com entrada gratuita. Compareceram cerca de 60 pessoas.

 

O Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra) é realizado anualmente e já virou tradição. As inscrições foram abertas ao público e encerradas também neste domingo. As aulas ocorrerão desta segunda-feira, 17, até 29 de janeiro.

 

A Secretaria de Educação destinou R$ 1,6 milhão para a realização do evento, com recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF).

 

As aulas serão ministradas nos turnos matutino, vespertino e noturno, presenciais e on-line, a depender da modalidade que o candidato escolheu.

 

 SAIBA MAIS SOBRE OS CURSOS 

 

O Civebra é um dos mais importantes cursos de verão na área de música do Brasil, não só a erudita, mas a popular, inclusive com oficinas de especialização”, destacou o diretor da ópera Lício Bruno, que também atuará como professor no Civebra.

 

Nesta edição, a Escola de Música de Brasília celebra os 100 anos da Semana de Arte Moderna, evento artístico e cultural ocorrido em 1922. O acontecimento mudou os rumos da arte no Brasil, trazendo uma proposta inovadora, com mais liberdade de expressão e valorização da cultura brasileira.

 

A estudante Letícia Helena de Lima, de 19 anos, aprendeu a tocar clarineta estudando na Escola de Música de Brasília. Ela fez parte do público que foi prestigiar a ópera e afirma gostar do gênero. Para Letícia, o curso de verão é uma oportunidade de aprender ainda mais.

 

Letícia Helena de Lima, de 19 anos, aprendeu a tocar clarineta na EMB. Segue na escola estudando e foi prestigiar o espetáculo. Foto: Mary Leal | Ascom/SEEDF

 

A gente tem contato com professores de fora de Brasília e aprendemos bastante em um curto período. Por exemplo, em vez de ter uma aula com um professor que vai apontar um a um nossos problemas, a gente tem uma aula mais abrangente e percebemos formas diferentes de lidar com os mesmos problemas. Com isso, conseguimos desenvolver mais o nosso instrumento”, apontou a jovem.

 

Regência e autoria

 

O maestro regente de “O Caixeiro da Taverna” foi Edvan Moraes Jr., graduado em regência Orquestral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2015, trabalha como maestro interno e pianista ensaiador no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Também atua como maestro assistente da Orquestra Sinfônica Cesgranrio.

 

O compositor da ópera é o maestro Guilherme Bernstein, professor da Uni-Rio. Suas composições, entre música de câmara, vocal e orquestral, têm sido ouvidas, entre outros espaços, na Academia Brasileira de Letras, Sala Cecília Meireles, Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro; no Teatro Municipal de São Paulo; em Curitiba e Belo Horizonte, além de Estados Unidos, Rússia, Europa e América Latina.

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